O papel da Intuição na nossa abordagem

Com a evolução da ciência e tecnologia assistimos a uma crescente tendência para a automatização da tomada de decisão, refletida no desenvolvimento de áreas de conhecimentos como Business Intelligence, Data Science e Machine Learning. Esta tendência, à semelhança de outras no passado, consolidou-se nas designadas ciências exactas e nos negócios tipicamente associados a estas (Engenharia, Tecnologia, Serviços Financeiros, etc.), evoluindo depois para outras áreas de conhecimento e serviços, com maior ligação às ciências humanas, em que tipicamente o processo de tomada decisão é mais subjetivo e com as emoções a assumirem um papel de maior relevância. Assistimos assim na última década a uma quase obsessão com os dados e com a tomada de decisão quantificada, em áreas como os Recursos Humanos, Comunicação e outras onde as relações humanas assumem um papel central, o que inevitavelmente tem como consequência o descurar e desvalorizar de outras fontes de tomada de decisão que sempre se revelaram determinantes na evolução humana, nomeadamente da Intuição.

No âmbito da nossa atividade procuramos todos os dias tomar decisões baseadas em dados, factos, e informações exatas. Utilizamos a razão de modo a otimizar a nossa decisão. É uma forma de compararmos as diversas variações, e consequentemente selecionar a melhor alternativa. No entanto, quando deparados com uma grande quantidade de dados e quando as decisões impactam diretamente numa pessoa, encontramo-nos muitas vezes com a ambiguidade e a com a incerteza. Percebemos que a razão tem também as suas limitações, nomeadamente a impossibilidade de tomarmos decisões tendo em conta toda a informação, todos os contextos, e todos os domínios que podem afetar a nossa decisão. Quando utilizamos apenas os dados que temos e descuramos a componente intuitiva, de forma a otimizar a decisão, percebemos que acabamos por tomar decisões somente satisfatórias (muitas vezes por falta de tempo para ponderar as inúmeras alternativas), ao invés de decisões brilhantes.
De forma a responder a toda a complexidade e quantidade de dados e informação que temos disponível, surge a necessidade de simplificar a informação, de forma a tornar o processo de decisão mais ágil e completo. Um processo que exige o desenvolvimento do pensamento heurístico e possível apenas com a experiência acumulada.
A decisão intuitiva é um processo inconsciente, que nasce a partir de uma perceção instintiva, um conhecimento nem sempre objetivável, que surge a partir da experiência prévia de cada pessoa. A intuição é desta forma associada à experiência, que torna certas estórias e contextos previsíveis, e aumenta a nossa capacidade de tomar decisões intuitivas mais precisas.

É com base nestes pressupostos que procuramos todos os dias aperfeiçoar a nossa intuição e que assumimos o papel que esta representa nas decisões que tomamos, utilizando estes dois sistemas em paralelo, que se complementam, e nos dão força em todos os processos de tomada de decisão: os dados e a intuição.