Mudar de Vida

Tinha 30 anos, dos quais 8 eram de vida profissional, era Manager numa big 4, na área fiscal…

 

E havia uma música dos Humanos/António Variações chamada “Muda de Vida”, que não me saía da cabeça...

 

“Muda de vida
Se tu não vives satisfeito
Muda de vida
Estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida
Não deves viver contrafeito
Muda de vida
Se há vida em ti e outro jeito

Ver-te a sorrir, eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens
Que ser assim?”

 

Eu gostava da empresa onde trabalhava e, essencialmente, gostava das pessoas com quem trabalhava.  Pessoas que me ajudaram a crescer enquanto profissional e por quem vou sempre sentir um enorme reconhecimento pelo grande contributo que tiveram no meu desenvolvimento*. Mas para ser totalmente honesta, sempre soube que, comparativamente comigo, essas mesmas pessoas tinham uma enorme vantagem competitiva, vibravam com o que faziam. E a mim faltava-me essa parte essencial, que era adorar o meu trabalho.

 

Aqui tínhamos um problema, para ser feliz, a minha vida pessoal e profissional têm que coexistir e fazer-me sentir integralmente realizada. E eu não adorava o que fazia, não me via a ser fiscalista até à reforma…

 

Então, o que fiz? Falei com amigos, perguntei-lhes o que me viam a fazer de diferente, o que é uma pergunta difícil para nós, quanto mais para os outros….

 

Questionei-lhes quais entendiam ser as minhas maiores qualidades e também os meus defeitos e em simultâneo procurei pensar qual era a parte do meu trabalho que me fazia mais feliz…   

 

Percebi que o que mais gostava era a possibilidade de interagir com outras pessoas, fossem elas clientes ou colegas e que sentia real adrenalina, quando percebia como chegar ao outro, criando pontes e descobrindo afinidades. Depois compreendi que sou muito focada na ação, “no fazer acontecer”, que gosto de objetivos materializáveis, que sou uma generalista (e nunca uma especialista, por privilegiar saber um pouco de muito, em detrimento de saber muito de pouco), que me motivo com o alcançar rápido de resultados e que abomino a falta de diversidade. Conjugando tudo isto, percebi que poderia fazer sentido uma função numa área comercial, ou consultoria relacionada com pessoas.

 

O passo seguinte? Perceber junto de pessoas que desempenhavam esta tipologia de funções, como era o seu dia-a-dia, o que faziam efetivamente, quais as suas funções e responsabilidades. Estas consultas dentro da minha rede de contactos, tiveram um duplo efeito, primeiro permitiu que as pessoas me ajudassem efetivamente a fazer a “imagética” do que seria trabalhar naquelas áreas, e por outro, não menos importante, alertá-las para o facto de que estava disponível para abraçar um novo desafio. E, na minha situação em concreto, houve um amigo importante nesta história, um amigo* que enviou o currículo para a Jason Associates e nesse momento a minha vida mudou!

 

De acrescentar, que neste exercício de autoconhecimento, que para mim continua a ser o segredo das boas escolhas, é também essencial procurarmos o fit entre as nossas características e a cultura/estado da organização, isto porque há empresas para todos os perfis: há as que têm uma matriz internacional e/ou uma cultura colaborativa ou mais competitiva, e/ou que se encontram numa fase de crescimento, de reestruturação ou velocidade de cruzeiro, etc… E perguntar, pedir conselhos e tirar referências sobre as empresas em questão, idealmente junto de pessoas que nelas trabalham (e que podem contribuir para a nossa mudança para a organização em questão).

 

Enfim, é preciso fazermos uma due diligence à nossa essência e assegurarmo-nos que sabemos: o que fazemos bem, onde acrescentamos valor e o que gostamos de fazer. É na intersecção entre estas variáveis que poderemos encontrar aquilo que verdadeiramente nos realiza.

 

E depois desta due diligence, o que fazer? Um currículo, com as nossas principais responsabilidades e objetivos atingidos, e que devemos colocar online (porque o linkedin é, nos dias de hoje, uma verdadeira base de dados), no qual devemos destacar as palavras-chave que nos parecem importante serem detetadas em pesquisas feitas por todos os que se dedicam ao recrutamento.

 

E sim, é verdade, todo este exercício depende em primeira instância de nós próprios, na medida em que deixar algo tão importante quanto as nossas vidas nas mãos dos outros não me parece lá muito inteligente.

E tu? Queres mudar de vida? Então: mãos à obra e não te esqueças: procurar trabalho é um trabalho (e dá trabalho). E já agora, não te prendas aos modelos tradicionais de trabalhos, pensa em todas as alternativas (ser freelancer, funções de Interim Management, prestador de serviços, empreendedor, etc.)

 

*O meu agradecimento a Maria da Luz Barros, Rui Guedes Henriques, Duarte Galhardas, Nuno Pinto, Ricardo Reis, Sofia Almeida Santos, Joana Gonçalves, Margarida Ramos Pereira, Ana Oliveira, Victor Guégués, António Pedro Pereira, Júlio Almeida, Alexandre Fernandes, José Pedro Nunes , Ana Paula Basílio, Rui Camacho Palma, Afonso Arnaldo, Pedro Vasconcellos Silva, Luís Leon, Tiago Marreiros Moreira, Conceição Gamito e João Ferro Rodrigues.


Por Susana Leitão

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